quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dia 39 – Momentos


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.

Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

Retirado de pensamentosepalavras-diane.blogspot.com


 A vida proporciona-nos momentos e sentimentos que não conseguimos controlar…
Há dias em que sendo felizes, duvidamos da felicidade que sentimos pelo medo que temos que esta não seja real, por medo de a perdermos… A dúvida faz-nos vacilar e impede-nos de usufruirmos em pleno os sentimentos bons que nos assolam…
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.”

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